Eu estive lá. Precisei pegar meu histórico escolar e outra serie de documentações inutilmente necessárias. Era o fim. Senti-me sem as algemas, sem as grades, sem as celas. Senti-me tão livre, como nunca achei ser possível ao longo de todos esses anos estudantis.
Sentei-me naquele banquinho velho de concreto, praticamente inundado por chicletes que os alunos jogam, como se não houvesse uma lixeira há cem metros de distância. E observei. Observei como as mochilas são cheias e pesadas, os ponteiros dos relógios parecem estar girando incessantemente, guiando-os a uma rotina de pressa. Pressão. Obrigação. E observei a expressão de cada um ali. Cansaço. Tristeza. Estresse. Dentre uns poucos que ainda sorriam com os colegas, mas que chegariam em casa e veriam-se perdidos diante de livros, Xerox e apostilas.
Então eu pude finalmente sentir na pele a tão famosa sensação de liberdade. Eu não tinha mochilas pesadas, nem deveres com prazo de entrega. Eu não tinha um maldito uniforme, eu não tinha a caderneta, e uma lágrima caiu dos meus olhos. Não eram lágrimas de saudade, como todos diriam que seria. Eu sempre soube que não sentiria falta do ensino médio. Mas eram lágrimas de alivio, de felicidade por estar livre, por estar pronta para seguir outro caminho, um caminho escolhido por mim. Pena daqueles pobres alunos que vi, com mochilas pesadas e relógios apressados, pois a jornada deles ainda seria longa, e maçante.
E ao meio dia, ao tocar do sino, percebi que eu não havia ido buscar meus históricos escolares, mas sim, minhas cartas de alforria.









